é isso aí

Conhecimento não é suficiente, temos que compartilhá-lo/querer não é bastante, é preciso agir.
Goethe

Paisagens

abrir as rótulas dos pensamoções passear os pés descalços pelas paisagens plúrimas surpreendentes sempre da poesia que repousa, inquieta, na filosofia música arte - lajes úmidas onde se entreabrem nesgas desse tão outro incansável enigma que a língua, insuficiente, alcunha de realidade realidades realidade

terça-feira, 21 de julho de 2009

VAGALUME


O menino em êxtase diante da luz azul azulzinha piscapiscando no escuro do quintal, na Rua do Porto Grande, piscapiscando em descompasso elevado de estranha e mágica harmonia, a luzinha azul dizendo, calando-se, linguagem (o menino ainda não sabia) que durante a existência inteira estaria dentro dele a dissolver-se refazer-se apagar-se alumiar as travessias que o pensamento jamais alcança.
Fascinado, o menino olhava a luzinha azul que piscava e piscava na piscina imóvel dos seus olhos. Sumiu.
E apareceu outra outras tantas vezes tantas deixando-o tonto e levando-o às estrelas ao escuro imenso sob o azul e o azulzinho outra vez crescia e crescia e trazia a realidade escondida sob o chão entre as pedras impalpáveis da imaginação do menino boquiaberto ante a luz azul azulzinha piscapiscando em seus olhos só poesia.
Sumiu.
Restaram as estrelas e o escuro.
O imenso escuro.

2 comentários:

  1. iaí cumpadi, "piscina imovél dos seus olhos" é um belo verso, lembrou-me eu menino correndo atrás de vagalumes quando faltava luz no São Francisco, tanta leveza meu Deus, que me confrange o peito. Um abração e obrigado pelos links.

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  2. sumiu pq o menino cresceu, é isso?

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